Dia do Médico: doutores contam como é a experiência de trabalhar com uma profissão tão desafiadora

  • Uma das carreiras mais antigas e respeitadas do mundo é lembrada em 18 de outubro; Especialistas do CMSJ comentam sobre a vocação de cuidar das pessoas e os desafios da área.

O nosso primeiro contato com um ser humano, assim que deixamos o útero, é com um médico. São eles os responsáveis por cuidar de saúde humana, seja diagnosticando, prevenindo ou tratando de doenças.

Uma profissão nobre, que tem como base o cuidado com o outro. Mas, afinal, o que leva alguém a escolher trilhar esse caminho tão desafiador? “Escolhi essa profissão porque sempre pensei em ajudar o próximo, visando à saúde e ao bem-estar das pessoas. A premissa básica é priorizar a vida do paciente”, conta Dra. Camila Gagliardi Walter, médica endocrinologista do Centro Médico São José de Cerquilho (SP).

Ingressar na medicina é difícil. Os vestibulares são os mais concorridos e, uma vez na universidade, os desafios continuam. São anos estudando muito, adquirindo cada vez mais conhecimento e isso se arrasta pela vida toda. É uma profissão que exige que o profissional se atualize constantemente. “Precisamos sempre estar atentos às inovações e mudanças. Com o avanço da tecnologia e todos os estudos na área, é necessário se atualizar e, até mesmo, se reinventar. Pensando sempre no melhor para o paciente, devemos ser excelentes profissionais, os mais capacitados, para oferecer o melhor tratamento”, comenta Dr. Luís Fernando Rubinato, médico pediatra do Centro Médico São José de Cerquilho.

Apesar dos desafios encontrados no caminho, é um trabalho muito gratificante e que deixa marcas positivas para sempre. “O que me motiva a continuar médico, depois de 25 anos de formado, é o dia a dia. Vencer as batalhas e ver as pessoas andando bem, recuperadas. O desafio de se atualizar, de melhorar, tudo isso faz a diferença. A melhor parte da medicina é ouvir um ‘obrigado’, é receber o abraço dos pacientes. Sem dúvida, isso é o mais gratificante, ver as pessoas melhorarem e fazer o bem”, diz Dr. Mauricio Mod, especialista em cirurgia do joelho e responsável técnico do Centro Médico São José de Cerquilho.

Em todas as profissões existem dificuldades e é normal a motivação ir diminuindo. Entretanto, na medicina, onde o preparo psicológico é ainda mais exigido, é necessário estar sempre alerta e não se deixar abater. “Ser médica é uma profissão que exige muito, tanto fisicamente, quanto mentalmente. Por isso, nós, médicos, devemos sempre estar muito bem preparados psicologicamente. Afinal, estamos lidando com o bem mais precioso de todos: a vida. Temos a parte gratificante, que é ajudar as pessoas, estar presente no momento de maior fragilidade e salvar vidas. Mas, também temos que lidar com a pior parte, que é quando perdemos um paciente”, explica Dra. Camila.

Além disso, os problemas na saúde pública também afetam os profissionais dessa área, que, por vezes, acabam tendo atingida a sua imagem por erros do próprio sistema. “A pior parte da medicina, hoje em dia, é o desafio da globalização, é a falta de relacionamento entre as pessoas. É perder a imagem de ser médico e ser apenas um nome em um livrinho de convênio ou mais um número. Ou, ainda, ser tratado como o reflexo da falência do Estado nos atendimentos públicos. Essa é a pior parte para um médico, porque, infelizmente, nós é que estamos na linha de frente e o paciente acaba confundindo o médico com o sistema de saúde”, fala Dr. Mauricio.

Ademais, novos horizontes estão surgindo e a nova geração de médicos terá que se habituar e aprender a lidar com as transformações tecnológicas. “O maior desafio da profissão é entender e vencer o relacionamento com a tecnologia. Nós temos que tornar a tecnologia nossa aliada e não substituta. Nada substitui o talento, o conhecimento, o toque, examinar os pacientes, escutar o que eles têm para falar, não existe tecnologia que supra tudo isso. Esse é o maior obstáculo para os novos médicos”, avalia o ortopedista.